Miséria e o efeito dominó


Há uma relação de causa e efeito. Ação e reação ocorrem nas mais diferentes relações da vida humana. Com a miséria não é diferente. Na busca de atender seus interesses básicos os seres humanos vão buscar o local que atenda suas necessidades. A lei do menor esforço, do caminho mais rápido, conta.
Um dos problemas que Maringá atravessa é o morador de rua, cresce. Ele choca o olhar sobre o espaço urbano acostumado com a harmonia. Este nosso discurso de bem-estar permanente que se mancha com o contraste entre a realidade e o desejo. É como estar no restaurante com a família, no momento de saborear o alimento e a estética do bom convívio e ser abordado por um pedinte. A tese do “estraga prazer” se encaixa na cena.

O vereador Homero Marchese quer saber mais sobre o trabalho do poder municipal sobre a população em condição de rua. O parlamentar afirma que 90% dos moradores não são de Maringá, vem de outras cidades. Segundo ele, principalmente da região. O parlamentar considera que é preciso uma política de combate a esta condição junto com as cidades da região.

Porém, na relação causa efeito, na busca de atender os interesses imediatos, o morador de rua sobreviver com o mínimo quando. A sociedade demonstra diariamente que ele não tem valor. Como estas pessoas responde a pergunta: “Para onde vamos?” O destino é o lugar mais promissor, pelo menos aparentemente. 
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Maringá anuncia aos quatro cantos sua pujança, sua riqueza, seu bem-estar, a cidade planejada. Este ambiente paradisíaco atrai tanto o qualificado como o desqualificado. Quem procura emprego tende a ser barrado pela renda. Mas para os moradores de rua, isto não é empecilho. Já que a sarjeta é sua moradia.

Por isso, a promessa de uma vida melhor, a chamada “terra prometida”, o Eldorado, está publicado na mídia. Gostamos da identificação de um lugar de qualidade, somos, também, um sonho de consumo para todos. O custo de vida pode repelir uma parte dos que desejam se estabelecer aqui, estes acabam morando nas cidades do em torno. Mas como o parodiando a propaganda do cartão de crédito, “a rua não tem preço”.

Logo, os moradores de rua são o resultado de nosso sucesso propagado, anunciado para todos. Uma relação de causa e efeito que o mundo vive e tem dificuldade de superar. São os migrantes e imigrantes diários. Também temos o nosso momento de países ricos lutando para estabelecer formas de conter os que desejam atravessar a fronteira e fazer parte da nossa estética de sucesso.

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