Mobilidade urbana é prioridade


Mobilidade urbana é um desafio em uma cidade que priorizou ao longo da sua formação o automóvel. Agora, a vida no trânsito exige rever as escolhas. O desafio é imenso, mas deve ser enfrentado com pulso. Mesmo que custe a insatisfação imediata do cidadão ou eleitor.
Prefeitura de Maringá e a empresa de Transporte Coletivo Cidade Canção (TCCC) travam uma batalha pelo reajuste da tarifa. A empresa alega a dificuldade de continuar prestando o serviço com as exigências que a prefeitura fez com o mesmo valor da tarifa. O poder público considera que o custo para o usuário é alto, sem uma qualidade e eficiência proporcional. Contudo, o reajuste acabou sendo dado, 8%. A tarifa saiu de R$ 3,60 para R$ 3,90, no cartão, e de R$ 4,20 para 4,50, no dinheiro. Ele passa a vigorar na segunda-feira, dia 9 de julho.

Nesta novela de muitos capítulos, a questão é a mobilidade urbana em sua complexidade. O que vai além de valores do passe, o qual é apenas um ingrediente em uma história de desprezo ao transporte coletivo e a valorização do transporte motorizado individual. Neste impasse que se afunila, o cidadão também tem sua parcela de culpa.

Se levarmos em conta o ambiente da mobilidade urbana em Maringá, ele é violento. Favorece descaradamente o automóvel e a motocicleta. Tem um desprezo pelo pedestre e se torna inviável para a locomoção do transporte coletivo na maioria das vias da cidade. Mesmo com a implantação ao longo do tempo de ciclovias e faixas de pedestres, mesmo a cidade tendo uma calçada que não é das mais ruins do país, ocupada muitas vezes por mesas de bar, construções e outros empecilhos, a vida de quem quer alternativa na mobilidade não é fácil.

Taxis e aplicativos de transporte ainda são minoria. Não há um política de incentivo aos dois meios de transporte que poderiam aliviar o número de automóveis, assim como os ônibus e a bicicletas. Levando em conta que ocorreram melhoras nos últimos vinte anos. Ciclovias foram construídas, o número de taxis aumentaram, o Uber chegou, canaletas exclusivas para os ônibus foram instaladas.

Os problemas continuam se acumulando. Na contramão de tudo isso, os automóveis se multiplicaram. A frota de veículos da cidade praticamente dobrou em 20 anos. Temos uma das maiores médias de veículos por habitantes do país. O número de acidentes e mortes no trânsito expressam este inchaço e seus riscos.

A solução não é simples, verdade. Nenhum ato do poder público em benefício do transporte coletivo, da mobilidade através da bicicleta ou mesmo do incentivo a redução do número de automóveis, na busca de segurança no trânsito, vai agradar a todos. O eleitor tem seu carro e moto. Há a satisfação do culto ao meio de locomoção motorizado e próprio. Uma ilusão que vai nos custar cada vez mais caro.
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Porém, é preciso fazer algo. O transporte coletivo é nossa solução. Ele deve ser uma prioridade na política de mobilidade urbana. Reduzir os automóveis, gerar vias exclusivas para ônibus reduzir o custo do deslocamento, agiliza a circulação dos veículos do transporte coletivo. Um exemplo são as canaletas na Avenida São Paulo, ou Morangueira, quem não percebe a agilidade dos ônibus naquelas vias?

A tarifa deve ser entendida no meio desta transição necessária e difícil. O custo do transporte é cada vez mais caro em um ambiente desfavorável. Tem um peso no valor de uma frota de ônibus que circula em um trânsito como o nosso, feito para automóveis e motocicletas. Temos que mudar esta lógica. Resta saber se estamos dispostos a pagar por isso.


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