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País do patronato



A democracia é um exercício, constante, necessário. Tem que ser praticado na base, na convivência no bairro, no condomínio, nas entidades de classe. Nem se fala da vida estudantil e o quanto o exercício da discussão, debate e representação são fundamentais. Democracia se constrói de baixo para cima. Mas qual é o nosso mal e onde esta lógica não se realiza?
Uma reportagem da Folha de São Paulo fala do corporativismo nos sistema representativo das entidades patronais. O quanto as confederações de peso em vários estados brasileiros tem seu comando entregue a “caudilhos” que se perpetuam no poder. A lógica também vale para sindicatos, federações e confederações dos trabalhadores.

O envelhecimento do comando de importantes federações patronais no Brasil é uma demonstração. Em reportagem da Folha de São Paulo, dados obtidos com 99 entidades patronais, 17 dirigentes estão há mais de duas décadas no comando. Um dos exemplos preocupantes e emblemáticos é a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), seu dirigente está há 34 anos no comando.
Para ler a reportagem da Folha de São Paulo, clique aqui.
Segundo a reportagem, através de informações obtidas por pessoas de dentro das entidades que preferiram o anonimato, há uma rede de relações que controlam as entidades e, em muitos casos, fraudulentas. Mesmo as multinacionais, que tem um peso significativo na cadeia econômica do país, não querem expor seus executivos, isentam sua participação, e facilitam o domínio dos “oligarcas” ou “caudilhos”.

Várias entidades de importante representação econômica tem práticas ilegais que são questionadas na justiça. Algumas delas, mecanismos que permite a criação de empresas e sindicatos fantasmas para garantir o comando de determinados empresários à frende de federações e confederações.

As mulheres estão cada vez mais distantes do comando de entidades representativas, diminuíram nos últimos 20 anos. A última grande expressão foi Kátia Abreu, senadora pelo PDT/TO, que esteve à frente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) até 2016. Abreu é um caminho seguido por muitos dos líderes das confederações, a política. O que não é um problema, uma digna representatividade, se não fosse as más intenções de muitos.

Assim, esta democracia que deveria começar no dia a dia esbarra em momentos e em etapas mais importantes nos oligarcas, nos caudilhos, nos que se consideram senhores de uma representação que não lhes pertence, mas que manipulam para se beneficiar.

Logo, a mesma lógica que contamina e cria seus mitos e senhores, “salvadores” entre o patronato, ocorre também do lado dos trabalhadores. Lula é o maior exemplo. Se apoderam da democracia e usam-na para se legitimar. Estes senhores autoritários não são exemplo de representatividade, não são a expressão das necessidades de empresários, de uma economia carente de lideranças de fato, legítimas. Se queremos uma democracia de fato, temos que mudar isso.

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