Crédito não é renda




População italiana, é o número de inadimplentes no país. Desemprego, falta de qualificação da mão-de-obra, ano de eleição, incertezas e crise são bem brasileiras. 
A inadimplência dos brasileiros está crescendo. Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o número de inadimplentes no Brasil chega ao tamanho de uma Itália, são 63,4 milhões de brasileiros como mau pagadores.

Os mais pobres são os que mais se endividaram ao longo destes anos, eles representam mais de um quarto dos que estão no vermelho. Mas o endividamento também pega os de melhor renda. Quem ganha mais de 10 salários mínimos tem um índice de endividamento de 10,8%.

Tudo indica que o ambiente econômico não vai mudar tão cedo e que a redução dos endividados não irá se alterar facilmente. Desemprego, insegurança econômica, ambiente política incerto contribuem para que não se tenha muita esperança de colocar as contas em dia.

A grande questão está no potencial dos endividados de acertarem suas contas. Há um perfil ruim da população de baixa renda. Sua desqualificação e desemprego apontam para uma fragilidade do potencial de econômico das famílias. Neste contexto, não se paga e não se compra.

Em um ano de eleição, a economia continuará dando passos incertos, inseguros. Ninguém que arriscar. Quem está desempregado, empregado temporário, ou fazendo bico em um trabalho sazonal, são os que estão em situação de risco.

O que estamos colhendo agora ainda é o resultado da ilusão que se construiu no país nos tempos dos chamados de paraíso, ilusão. No tempo do bom consumo. Onde os cartões de crédito, o grande vilão do endividamento, deu a sensação de que crédito era renda.

Temos que rever a forma como olhamos para os homens públicos e para a publicidade que incentiva consumo e leva ao endividamento.

Na retórica do sonho, os produtos de custo elevado eram oferecidos por parcelas acessíveis e aceitas pela população. Ter o que no valor total seria impossível, mas nas parcelas se tornou aparentemente viável. Quantos compraram dívidas em vez de objetos. Olhar a parcela e não o preço. As parcelas não passam tão cedo e o emprego se vai. A renda tem limites, o desejo de adquirir não.

A solução para nosso endividamento vai além das contas que temos para pagar. O dinheiro no Brasil é caro. Compras a prazo não facilitam quando se paga por um bem um juro embutido e agressivo. Aprender a construir a renda e ter mais estabilidade é fundamental. Confiar mais no que se tem como garantia, a qualificação e potencial de produção, do que na ilusão da propaganda. Racionalizar o consumo é uma boa ideia.

Não podemos nos iludir com as propagandas. Ainda mais em tempo de eleição. Os produtos continuam sendo ofertados como soluções “mágicas” para nossos problemas. Da mesma forma, os candidatos também são oferecidos. Nos dois casos, há uma ilusão perigosa de um produto fantasioso que pode piorar ainda mais nossa situação financeira.

Comentários