Cultura é a solução


Desprezamos a cultura. Não percebemos que é ela que dá o sentido ao que fazemos. Ela expressa o significado de nossos atos. Se os valores que cultuamos forem elevados, seremos em nossos atos. Caso contrário, colheremos violência, radicalismo, estupidez. 

Não podemos negar que a melhoria de uma sociedade é qualificar o ser humano. Mas quantos se interessam pela qualidade humana? E quantos espaços públicos estão direcionados a pessoas e não na estética do lugar? Por isso, cultura é fundamental. Seres humanos qualitativos pensam melhor seus atos e agem com mais eficiência. A ignorância é um prejuízo imenso.

Me preocupa saber que a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) do município pode cortar 35% do orçamento da Secretaria da Cultura. Além disso, a pasta de Mobilidade Urbana pode perder 23%. Isto não é um bom sinal. Dois gargalos da cidade, duas necessidades fundamentais, estarão prejudicados em suas ações em 2019. Não podemos descartar a educação no trânsito como uma necessidade urgente. Parece que nos esquecemos do número de pessoas que morrem todos os anos ou que ficam debilitadas nas vias públicas de Maringá.

Locke sempre considerou que o ser humano é resultado do meio. Ele pode melhorar ou piorar conforme a educação que recebe. Uma sociedade pode corromper uma pessoa. Ao abrirmos mão de recursos para a cultura e gerarmos limitações para ações de educação, fiscalização e investimentos no trânsito, estamos gerando um meio corrompido.
A cultura é a melhor saída

As pessoas sempre estão à procura de facilitar sua vida. Atender da forma mais cômoda possível seus interesses. Se não educarmos o ser humano a respeitar o direito do outro e controlar seus instintos, podemos fazer emergir, com nossa perversidade, a lei do mais forte. A educação deve preservar a vida, a cultura tem como função dar valor a existência. Por isso, educar é fundamental e a cultura é essencial.

Ficamos o tempo todo em uma política de valorização da burocracia da máquina pública e não deixamos aos seres humanos a responsabilidade sobre seus atos. Não delegamos a liberdade de escolha. Também, formamos mal o cidadão. Ele não tem a percepção racional e moral de uma ação consciente. É mal-educado e culturalmente pobre. Como podemos dar liberdade as pessoas se não lhes damos acesso ao conhecimento e conteúdo que dê sentido à vida. Para combater a “doença” da ignorância a cultura é antidoto e faz muito bem.
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Se o corte no orçamento da Secretaria de Cultura de Maringá realmente for proposto e aprovado, a perda será grande. Porém, será imperceptível para uma boa parte das pessoas por ignorância. Exatamente por não entenderem que o problema com o qual convivem é mantido pela limitação de conhecimento e por falta de um ambiente propício a diversidade, e ao aprimoramento da consciência humana, o que só a cultura pode nos dar.

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