Fogo no Museu e o retrato do Brasil



O fogo que queimou o Museu Nacional acendeu o alerta a nossa falta de respeito a cultura. Nossa precariedade de valorizar a ciência, de construir uma saída definitiva para o país.
O incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, foi uma catástrofe. Os principais meios de comunicação tratam do fato lamentável. Se perdeu muito da história do país, das pesquisas, da arqueologia, foram 200 anos jogado no ralo. O prédio apresentava problemas, perdeu verbas nos últimos 12 anos e tinha a possibilidade de restauração por recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), mas eles não vieram a tempo.

A destruição de um dos maiores símbolos da história brasileira representa muito do que o país foi e é. O prédio foi casa de mercador de escravos. Já era uma das maiores edificações do Rio de Janeiro, antes da transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, 1808. Quando Dom João desembarcou nos trópicos o fez de moradia da família real portuguesa. Foi lá que se edificou a simbolicamente a sede do governo. Foi casa do rei e de dois imperadores.

Para ver o ouvir o comentário sobre este tema na CBN Maringá, clique aqui.

Dom Pedro I se criou nos espaços da Quinta da Boa Vista. Aquele que fez a independência do Brasil. Em sua gestão de 13 anos em terras brasileiras, o rei português criou o Museu Nacional. Lá a monarquia residiu até seu fim, em 1889. Também foi lá que a primeira Constituição da República foi elaborada e promulgada (1891). O museu tinha mais de 20 milhões de peças no acervo.

O incêndio que o destruiu começou no domingo, no começo da noite. Os bombeiros tiveram dificuldade de apagar o incêndio por falta de água, pouca para um prédio tão antigo que não tinha dispositivo contra chamas. O prédio tinha estava em condições irregulares de segurança. Perdeu-se praticamente tudo. Lamentável, agora que se foi uma parte da cultura. Mas, quem se importou e quem se importa?

A destruição do museu é a expressão do que o país faz com sua memória. Abandono, desprestígio, falta de lucidez. Estamos diante de perda da memória de 200 anos. Comprometemos nosso olhar sobre a vida e acabamos não nos preocupando com o futuro. Se não somos capazes de respeitar a memória o que faremos com o futuro?

Quando um museu queima, desprezamos o legado. Também damos uma demonstração clara de que estamos pouco interessados com a responsabilidade de nossos atos. O que vamos deixar de lembrança sobre nossos feitos. Boa parte agora são cinzas.

Comentários