O “tamanho” do mundo é sempre o nosso tamanho...



As pessoas se esquecem de que elas dão a sua medida em todas as coisas que fazem. Cada um de nós se denuncia em suas escolhas. Estamos então, por mais que muitos busquem fugir disso, expondo em nossos atos a proporção do caráter que temos.
Estamos sempre a busca de ter consciência. Esperamos que a verdade das coisas seja na medida exata de como a percebemos. Por isso, para alguns, existe a certeza e em outros a eterna dúvida. Porém, a consciência é condutora do olhar para dentro e fora de nós. Quem se protege demasiadamente de ter que admitir seus “pecados” tende a olhar para fora e não para dentro de si.

Logo, podemos estar diante de um mundo, externo a nós, físico ou não, que reflete nossa “medida” sobre as coisas. A realidade pode ser uma mera aparência, nada mais. E não escapa a este princípio o “amor”, o sentimento pelos outros de uma forma geral. Ele é sempre um sentimento fundado em uma intenção. Jogado para o outro e partido de nós, de nosso tamanho emocional. Nossa pequenez pode fazer do amor uma imposição. Tão limitado e imposto, exigindo ao outro se submeter a condutas desumanas e humilhantes. A violência, em suas mais diversas formas de expressão, nasce de emoções medíocres e pobreza de intenções.

Se queremos nos livrar da violência nas relações pessoas, temos que nos afastar das pessoas de sentimentos pequenos, de intenções limitadas e visão autoritária. Mas se cultivamos a estética em detrimento da ética, logo, há que se preparar para pagar o preço do que se dá mais valor. A pior das agressões não é a física e sim a falta de respeito real em um ambiente visual e aparente de cordialidade, recheado de seres de intensões imediatas.

Protágoras afirmava que “o homem é a medida de todas as coisas”. Este foi um princípio fundamental do humanismo. Assim o mundo se fez entender com a humanidade no “centro” de sua construção lógica, de sua percepção. Fundamental é a construção de nosso conhecimento, da consciência. Ela se aprimora na medida em que percebemos o quanto já avançamos na percepção do que existe e quanto ainda há para avançar. Por isso, o mundo é do tamanho de nossa medida. Sempre limitada, mas com diferenças incríveis entre os seres humanos. Uns são capazes de medir uma imensidão e outros não vão além de seu “nariz”.

Não há nada de errado em termos uma visão parcial sobre o que nos cerca. Não nos condenamos por errar, mas por não admitirmos o erro e corrigir a conduta. O deslize nos dá a dimensão de como não podemos ter a certeza absoluta. Aqueles que nos alertam podem estar certos ou enganados, na proporção dos enganos que cometemos. Aqueles que crescem admitem e incorporam a eterna mudança. Os incorrigíveis, autoritários e perigosos, continuam em seus erros e arrastam muitos ao foço.

Aqui estamos para uma existência, única. Não haverá depois, pelo menos não consciente. O que se faz permanece, não se desfaz, fica. Pode permanecer como uma lembrança que desejamos refutar ou admitir para superar os limites que o ato expressou. A elevação do caráter humano está na aceitação do que se é para deixar de ser e não negar e esquecer para manter-se no erro. Por isso, a ciência existe, o conhecimento nos permite agir de forma ciente. Fazer desta ação algo melhor para si e para os outros. O que deve vir primeiro, eles ou eu, é uma escolha de cada um. O ato diz muito sobre seu autor.

Podemos ser positivos diante do mundo, é claro que sim. Podemos mudar as coisas e fazer da espécie algo melhor. Aprender que a felicidade da existência não é a efêmera emoção prazerosa de plenitude. Ir além todos os dias, cumprindo uma jornada que ao caminhar altera e releva, polindo em nós algo melhor. Gostar do que não se percebia ter gosto, sorrir de excitação por ter cruzado caminho com tantos e ser uma pequena parte importante de muitos.

Amamos as mudanças e mudamos. Não podemos esquecer que as coisas se alteram independente de nossa vontade. Se algo existe agora, da forma que existe, é porque foi diferente em sua origem. A mesa de madeira já foi árvore, não seria o que é se não tivesse sido o que não é mais. Nos serve como mesa, porém, nada seria sem a árvore que a gerou. Assim somos aquilo que um dia fizemos e por vezes nos arrependemos de ter feito. Quantos hoje falam: “teria feito diferente”. Porém, se esquecem que só podem negar o feito por ter sido o resultado da obra que não pode desfazer.

Aqui encerro considerando que podemos ter um mundo imenso e intenso. Viver as mais variadas possibilidades. Podemos conviver com todas as diferenças possíveis sem ter que odiar o que não é espelho. Cada dia estar mais próximos da capacidade da compreensão madura e colaborar para todo o conhecimento. E permitir que a ciência faça da jornada magnífica de “ser humano” valer a pena.

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