O futuro depende de nós


De nada vale a escolha se não participamos. Não adianta opção se a condição que temos, se a relação que estabelecemos com a representatividade, é nula. Se ação não há mudança.
Domingo se encerra um ano eleitoral que trouxe surpresas para o país. Incertezas que atingem todo o mundo ocidental. A aposta no conservadorismo caricato ou na esquerda demagógica. Ficamos radicais nesta eleição. Polarizamos debates e demonstramos precariedade em entender nossos dilemas. Desconhecemos o país, a função do poder. Porém, somos eleitores.

As democracias estão vivendo uma crise, a da incerteza. O que vamos querer do futuro? Precisamos de uma resposta. Resposta que não se encerra na escolha do presidente. Ela não se resume na definição do líder, mas na governabilidade. Na capacidade de exercer o poder. Isto ainda não está decidido.

Democracia não é escolher, é se fazer ouvir

Só vamos superar a dúvida sobre o futuro quando participarmos dele. Estarmos mais atentos e dispostos a intervir democraticamente como uma sociedade organizada. Quando tivermos a capacidade de nos mobilizarmos por temas necessários ao país e ocuparmos os espaços que uma sociedade democrática tem. Associações, sindicatos, ONGs, comitês, comissões, conselhos, enfim, tudo o que nos permite agir e reagir.

Precisamos confiar na democracia e usá-la a nosso favor. Temos que entender os temas que discutimos, temos que nos informar. Participar, debater, conviver e dialogar contribuem para uma visão mais adequada sobre os problemas que nos cercam. A capacidade de organização e ação coletiva acaba por romper a inércia e a comodidade de quem governa. O representante nos representa na medida em que exigimos a representação.

Por isso, domingo, vamos votar, mas não vamos decidir o futuro. Este, depende mais de nós, de nossas ações, do que a decisão que sairá das urnas.

Comentários